Um lugar para os que são, os que ainda não são e os que não vão chegar a ser, conversarem e trocarem experiências.

Tuesday, September 15, 2009

Crossover

Uma vez eu li por aí, em uma dessas revistas femininas de nome chique, que na verdade só tem putaria, a notícia de que existe uma explicação científica para a atração dos opostos: quanto mais se misturam os genes, mas se aumenta a probabilidade de se fortalecer a espécie, e o corpo, inteligente, utiliza os seus hormônios para atrair indivíduos completamente diferentes com o objetivo de sobreviver à evolução.
Bem, sem querer desmerecer os cientistas ou receber o Prêmio Nobel de Medicina, isso pra mim nunca foi grande novidade, considerando o que a gente vem experimentando ao longo desses dois anos de convívio.
Se a vida fosse um conto de fadas e pão não engordasse, eu diria que temos vivido um verdadeiro musical da sessão da tarde, cantando (você cantando? Uaha) e dançando (eu dançando? Uhaua) em um campo florido onde bichinhos coloridos soltam pum de borboleta.
Mesmo considerando que o senhor sabe muito bem o que acho de filmes melosos, posso dizer sem medo que adorei, e adoro, cada momentinho que vivo ao seu lado, seja ele feliz, triste ou estressado.
Pra mim, se relacionar de verdade tem um fundo meio biológico mesmo, afinal de contas, é mais do que conviver, é se misturar, se confundir, assimilar, e acho que isso a gente tem feito muito bem; e eu posso dizer sem gaguejar que sou absolutamente orgulhoso de ter me tornado parte de você.
Talvez você engane os outros com seu personagem fútil, galego, mas não a mim.
Talvez as pessoas até acreditem quando você lança aquela opinião super polêmica e faz questão de dizer que só assiste ao “E” na televisão.
Mas eles não estão ao meu lado quando você resolve a minha vida em duas perguntas, numa objetividade de fazer inveja ao mestre Yoda; eles não estão ao meu lado quando você me arregala seu verde mar de tranqüilidade e me ouve por horas sem nem pestanejar e me leva sem perceber à resposta que eu tanto procuro, técnica essa que eu tenho o abuso de dizer que já estou aprendendo e tem feito felizes também outras pessoas do meu convívio.
Nem quando você se deixa agarrar pela cintura na nossa cama, permitindo que eu o acalente da única forma que eu sei.
E por isso que eu te amo.
Te amo pela sua atitude, pela sua sabedoria, pela sua falsa fragilidade, quando você finge se deixar proteger, quando na verdade você é que me protege.
Te amo por você ter me alfabetizado nas perguntas, conduzindo sem impor nada.
Te amo por você ter me ensinado a usar pasta de cabelo e um bom gel após barba.
Te amo pelas mensagens que me caem como estrelas no meio das minhas tardes tão atribuladas, ainda que nem sempre as responda.
Te amo pelo tesão que você tem em mim e pelo fato de procurar cada cabelo de meu peito nos sites de putaria que você visita.
E é por isso que eu hoje agradeço ao meu Deus e ao seu Buda por decidirem que, apesar de tudo, a gente vai ficar junto sim e pronto- acabou-se-ora –mais- que- coisa!
Porque eu acho que tem um mundo de aprendizado esperando a gente rapaz. E tá logo ali, ó, em frente.
E a cada noite eu rezo, baixinho, do único jeito que eu sei, para que o Sol continue dando mais e mais voltas ao redor da Terra, até que nós cheguemos à sua tão temida velhice, um ao lado do outro, ainda brigando sim, porque você sabe que eu serei um velhinho bem rabugento, mas ainda nos amando muito, na eterna companhia um do outro.
Feliz aniversário pra gente!

Wednesday, May 20, 2009

No fim

video

we all bear the scars

yeah, we all feign a laugh

we all cry in the dark

get cut off before we start

and as your first act begins

you realise they're all waiting

for a fall, for a flaw, for the end

and there's a past stained with tears

could you talk to quiet my fears

could you pull me aside

just to acknowledge that i've tried

as your last breath begins

contently take it in

cause we all get it in

the end

and as your last breath begins

you find your demon's your best friend

and we all get it in

the end

Thursday, August 21, 2008

Síndrome de Rebecca



Estávamos em 1940. Alfred Hitchcock acabava de lançar o seu primeiro filme norte-americano. Rebecca, a mulher inesquecível, onde uma jovem órfã acabava roubando o coração de um lorde inglês viúvo dono de uma imensa propriedade na beira do mar que tinha até nome (Manderley)!
Apesar do moço tentar fazer de tudo para que a matutinha se sentisse em casa, toda a equipe da mansão, em particular a governanta, iniciaram contra a nova Lady uma guerra silenciosa, onda a “presença fantasma” da ex-mulher acabou por tornar insuportável a vida do casal.
O resultado? Um dos maiores filmes de todos os tempos (Oscar, 1940) e uma idéia pra uma pequena crônica...

Valeu, Hitch!

- Er..olha, assim. EU costumo fazer assim , mas você faz do jeito que quiser.
Primeira semana no trabalho novo. O gerente do setor me explicando os procedimentos internos.
- Você sabe como insere o timbre aqui na segunda página?
Silêncio.
- Pra que você quer inserir o timbre na segunda página?
- Pela organização e talz...
- Er...assim. AQUI A GENTE não faz isso, mas você pode fazer se quiser...
E eu tô doido? Já chegar chegando, causando a ira de toda uma sorte de funcionários? Alterando todo o procedimento? Um rebelde sem causa? E breve sem emprego?
Isso sempre acontece em ambientes novos. Sempre apresento aos outros o meu irmão gêmeo bom (Deywson) antes deles conhecerem o irmão gêmeo mau (David).
Imagina se eles souberem que eu não freqüento show de forró? Nem cabaré? Que eu falo inglês, espanhol, curto filme francês e li pelo menos o primeiro livro do em busca do tempo perdido, do Proust? Imagina se eles souberem que eu escrevo peças de teatro?
- Coma um pedaço de bolo.
-Er..não posso, sou intolerante a lactose.
Já foi necessário falar que não posso ver leite nem em propaganda e alguns me fuzilaram com olhares, como se eu tivesse ofendido a mãe de alguém!
Mas é aquela coisa, o próprio processo de ambientação é complicadíssimo. Tem horas que você não sabe até onde ser educado e simpático pode perturbar a imagem que os outros fazem de você, até porque você acabou de entrar em terreno desconhecido, lembra? Ainda não tem amigos, sacou?
- Estamos precisando de um centro-avante pra o time.
I´m sorry what? Time? Como assim time? E eu tenho lá cara de quem guarda centro- avante no bolso? E o que danado é um centro-avante, afinal?
-Fica pra próxima.
Próxima encarnação!
E aí chegam as invariáveis dúvidas: será que o funcionário anterior era melhor que eu? Será que era alguém bem legal que o chefe expulsou e me colocou no lugar?
Será que tá todo mundo em um complô contra mim, me chamando de bicha pelas costas? Será que eu vou ser expluso pelos cabelos como Tieta do agreste?
- Suma daqui, cabriiiita!
Aí eu respiro fundo, relaxo e lembro que no outro emprego foi a mesma coisa. É sempre assim. Depois de um tempo de Lady Diana, vou pouco a pouco colocando pra fora meu lado Amy Winehouse (leia-se falar cinco palavrões por frase e contar piadas politicamente incorretíssimas).
E no fim percebo que essa Síndrome de Rebecca eu já tive outras vezes e nada mais é do que o massante, mas necessário, medo do novo.

Tuesday, August 12, 2008

Velhos Amigos*



- E aí?

- Como te disse. Fim.

O bar tava quase vazio. O garçom, já com aquela cara de feiticeira vudu amaldiçoando a gente pelas próximas quinze gerações.

- E como você ta?

- Com um pouco de medo. Não por ele. Por mim. Tô me sentindo velho, acabado, e acho que perdi a última chance de ser feliz.

Me controlei pra não rir. Juro por Deus.

- Amigo, drama tem limite, viu? Você fala como se tivesse sessenta e quatro anos.

- Não, querido, você que pensa que a sua juventude vai durar pra sempre! Eu tenho quase trinta, meu tempo tá passando! Não quero ser um velhinho pagando pra sair com boy!

OK. Agora eu ri.

- Amigo, relaxe, você ainda é o boy.

- Mas por quanto tempo?

- Muito tempo ainda.

- Como você sabe?

- Sou médium-vidente. Sei do passado, presente e futuro e trago a pessoa amada até em três dias se morar na grande Natal.

- Olha o royaltee, bee!

- Muito bem, tá entendendo as referências, tá quase voltando a ser o mesmo.

- E o senhor, como tá?

- Tranqüilo.

- Ai, amigo, de vez em quando me dá uma inveja desses seus relacionamentos duradouros, sabe?

- Mas é inveja boa, né?

- Não, querido, é inveja ruim mesmo, daquelas péssimas! De deixar você sozinho no fundo de um apartamento mofado com aluguel atrasado ligado a uma bomba de oxigênio.

Caímos na risada.

- É meu lado sapatão.

- Ah, tá.

Ele calou-se de repente. Ao fundo, apenas o barulho da televisão passando alguma coisa sobre as olimpíadas.

- Você nunca se sentiu só, amigo?

- Vez por outra. Mas eu acho que solidão é coisa que a gente resolve conosco mesmo, sabe? Não depende de outra pessoa não. Aliás, a coisa certa é que a gente não deve depender de ninguém pra nada.

- Que amargura, Gasparetto.

- Não, não me entenda mal. Não é amargura. No fim das contas é praticidade. Porque depois a pessoa vai...

- ...E eles sempre vão...

- E aí? No final tem que sobrar você. E ser bom, sabe?

- Eu sei.

- O problema é essa qualidade de homem que você tá arrumando, rapaz!

- Ai, é?

- É!

- E vai ficar esculhambando o ex, é?

- Papel de amigo! Sempre esculhambar os ex!

E tomamos mais uma vendo o Brasil perder na natação.

-Amigo.

- Oi.

- Você acha que eu vou passar a vida sozinho?

Abri a boca, mas não tive tempo de responder porque o garçom trouxe a conta.

- Rapaz...Que tal passar a noite acompanhado?

- Tá doida, bee? Você é amigayzinho, a gente vai pro inferno!

- O garçom, sua vesga!

- Garçom?

- O garçom não tirou os olhos de você.

- E foi?

- Foi.

- Será que ele precisa de uma carona?

- Provavelmente...

- Você fica muito chateado se eu não for com você?

- Eu dou na sua cara se você for.

- Tá bom, mestre dos magos, seus conselhos como sempre foram sábios.

- A resposta dentro de você sempre esteve, mestre Jedi.

Rimos. Adoro quem entende as minhas referências.

E o vi indo embora com aquele ar de preocupação que sempre foi a sua marca registrada.


Queria ter respostas, amigo. Mas a graça no fim das contas é essa, né?


*Levemente baseado na música "Old Friend" de Ford e Cryer magistralmente declamada por Renato Russo no álbum The Stonewall Celebration

Tuesday, July 08, 2008

A lista!

video


24 boas razões para você se tornar gay!

1ª – Você vai estar um escândalo enquanto seus amigos de escola estarão todos barrigudos, casados e cercados de pequenos monstrinhos catarrentos.

2ª– Você provavelmente vai ter viajado muito antes dos cinqüenta anos.

3ª– Você terá feito muito mais sexo que todos os seus amigos heteros. Juntos.

4ª– Você sabe as maravilhas que uma aplicação de ácido pode fazer por sua pele.

5ª- Você vai a festas infinitamente mais divertidas.

6ª– Você sabe o quanto é bom morrer de chorar em um filme.

7ª– Você quase teve um orgasmo ao ver Carrie Bradshaw trocando de vestidos de noiva (ok, trocando de estilistas) no filme Sex and the City.

8ª– Você já transou em um carro. À noite. No meio da rua.

9ª– Você cantou TODAS as músicas daquele musical a que assistiu, baseado em peças da Broadway.

10ª – Você conhece os filmes por diretor.

11ª – Você tem mais de cinco perfumes. Importados. Alguns do contrabando, claro.

12ª – Você sabe valorizar a beleza de uma mulher.

13ª – Você daria mais de R$ 500,00 em uma calça.

14ª – Você já fez sexo a três...a quatro...

15ª – Você já pegou quase todos os seus amigos.

16ª – Você sabe que não vai ser repreendido quando lança aquela piada de uma acidez quase inacreditável sobre gente feia.

17ª – Você adora America´s Next Top Model.

18ª – Você odeia o Brazil´s Next Top Model.

19ª – Você queria só uma vezinha tomar o seu café em frente à Tiffany´s. Vestindo Givenchy.

20ª – Você gasta os tubos em cuecas sem costura.

21ª – Você chama seus amigos de “querida”.

22ª - Você sabe fazer drinks fabulosos.

23ª – Você sabe o quanto é divertido falar bem devagar ma-ra-vi-lho-so separando as sílabas.

24ª – Se você pudesse escolher, pediria pra pensar um pouco, mas no fim escolheria voltar como gay. Ok. Talvez com uma bunda um pouco maior.

(*25ª – Fala a verdade, você deu um gritinho ao ver esse vídeo. E levou a mão até o colar de pérolas sim, que eu vi!)

Friday, June 06, 2008

Querido pônei, querido pônei...

video

O menino estava ajoelhado no corredor bem em frente à porta do quarto. Aos seus pés, o seu brinquedo da irmã preferido, um cheiroso querido pônei. Azul.

Mesmo de onde estava, ele conseguia sentir o cheiro de talco do cavalinho. Só vários anos depois descobriria que esse cheiro era fabricado. Mas naquela tarde não. Em sua frente ele tinha um querido pônei azul e muito mal penteado, vejam que pecado...

SUSPENSE...

Isso, caríssimos amigos, o menino, bobinho como ele só decidiu pentear o querido pônei! E descobriu que ele não era só cheiroso, como também era macio.Em sua cabeça o hino dos queridos pôneis tocava sem parar, naquele chiado gostoso dos discos de vinil, que eram só os que o menino conhecia à época.

Só que o lesadinho aumentou muito o som da música em sua cabeça, já meio autista, e não ouviu o seu pai chegar.

Seu pai. Um cara já muito mais velho, cheio de planos econômicos na cabeça, e que não tinha lá muita sensibilidade pra cavalinhos, queridos ou não.

O disco que tocava o tema do desenho pulou com a bifa que o pai deu na cabeça do menino.

-Você não pode pentear essa boneca!Pra o pai do menino, tudo que não fosse carrinho, era boneca.

- Por quê?

Pra o pai do menino, seu filho tinha feito a pergunta mais imbecil do mundo.

- Isso é coisa de menina!

Como se tivesse descoberto o lápis de olho à prova d´água, o menino idiotinha falou:

- Ah, então eu quero ser menina!

O pai ficou sem entender nada, ou tinha entendido tudo, e assustado demais pra falar outra coisa, esbravejou:

- Nunca mais diga isso!E saiu batendo os cascos.

O menino ainda ficou parado um tempo. Se fosse algum tempo depois, o menino era que teria saído antes, não sem antes brandir o seu leque e saracutiar feito Xica da Silva. Mas ele precisou ficar ali naquela tarde pra poder ter a sua primeira lição de como as coisas são.

Reza a lenda que ele nunca mais sequer encostou em um querido pônei, mas até hoje cantarola a música de vez em quando.

Remasterizada.

É amigayzinhos mais inteligente, o menino sou eu! Hoje um pouco mais inteligente! Mas agora vamos rasgar!

- Oi, meu nome é David e eu penteava queridos pôneis..azuis...

TODOS –Oi, David!

E vocês? O que vocês faziam mesmo com alguém olhando? O que ajudou a acender em seus pais uma bela e peralta luzinha cor-de-rosa?

Tô no aguardo!

Thursday, April 24, 2008

Hetero x Gays


O meu boy, com a sua fleuma habitual, ainda tentava se comunicar com o vendedor de DVD´s piratas..ops...genéricos, embaixo da passarela do Midway, mas que tava difícil tava.


- Beyoncé! B-E...
- Quê?
- B..

Era pedir demais de um carinha sem lá muitos dentes, chupando um milho.

- É pornô, é?
- Não.
- É riprop,é?

Luz no fim do túnel.

- Mais ou menos!

Apelei para o santo hétero que baixa de vez em quando se preciso conversar com essa raça.

- É uma negona gostosa!
- Siimmm....

E ele nos leva para a “sessão” pornô, onda uma morenona com quinze quilos de silicone em cada peito, tenta abarcar umas cinco rolas.

Sim. Era pedir demais!